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  • Lais Cattassini

o Mundo em Teksto - Junho

Esse mês a newsletter está um pouco diferente. 


Começo com uma versão um pouco ampliada de “O Brasil lá fora”. Isso porque o Brasil foi destaque na imprensa internacional pelos piores motivos possíveis, seja pelo modo criminoso como o governo federal vem tratando a pandemia do coronavírus - colocando o Brasil no topo do ranking de casos e mortes - seja pelas declarações e ações irresponsáveis dignas de, olha só que ironia, uma ditadura venezuelana. Ou chinesa. Ou qualquer ditadura aí.


Eu costumo sempre fazer um apelo para que vocês leitores divulguem a newsletter para amigos. Pois hoje faço um apelo mais específico: que tal recomendar essa newsletter para aquele político que você conhece que pode votar em favor do impeachment no Congresso? Que tal ainda mandar para aquele ministro do Supremo que precisa ler o quanto viramos chacota internacional?


Não tem nenhum desses na sua lista de contatos? Não tem problema. Você com certeza tem um negacionista na família, em um grupo de whatsapp ou em sua lista de desafetos. Que tal?


No maior estilo “ninguém larga a mão de ninguém”, pega aqui na minha mão e vamos juntos ler o modo como o nosso país tem sido visto ao redor do mundo. Ahh e as outras notícias bem animadoras dessa época deliciosa que estamos vivendo, não é mesmo?




Como o Brasil tem sido visto lá fora…

De acordo com a imprensa internacional, morar no Brasil não está sendo fácil. Se no passado as matérias sobre o país traziam um tom de esperança, agora há reprovação e alerta. Esse mês, o Brasil foi um grande e deprimente destaque na grande maioria dos veículos internacionais. Primeiramente, por ter se tornado o novo epicentro do coronavírus. A decisão do governo federal de ocultar o número de mortos e infectados pelo vírus foi extremamente criticada no país e fora dele. O Brasil também ganhou espaço entre todos os países que fizeram protestos durante o mês. O descontentamento com o presidente ficou evidente. Conforme as coisas no país pioram, mais ministros deixam seus cargos e não são substituídos e a família Bolsonaro se envolve em mais polêmicas, casos de corrupção e ameaças, o Brasil deve ganhar ainda mais espaço no noticiário internacional. Brasil acima de tudo, não é mesmo?

Saiba mais:

The Guardian - Brasil deixa de divulgar dados do Covid-19 [Em inglês]

El País - “São Paulo será um bastião da resistência para preservar a democracia do Brasil”, diz João Dória [Em espanhol]

El País - “Não vejo no Brasil nada que ameace a democracia”, diz Hamilton Mourão [Em espanhol]

New York Times - Conforme pandemia avança, presidente do Brasil adota cura não comprovada [Em inglês]

Reuters - Brasil bate recorde em número de casos e ministério diz que está tudo sob controle [Em inglês]

Washington Post - Brasil ignorou avisos. Agora, enquanto outros países enfrentam a segunda onda do vírus, o país nem passou da primeira [Em inglês]

El País - Moro: “A democracia não está em risco, mas as investidas autoritárias são indesejáveis” [Em espanhol]

Reuters - Ministro da educação do Brasil é demitido e Supremo Tribunal Federal manda recado para Bolsonaro [Em inglês]

Le Monde - Jair Bolsonaro decide se distanciar de Abraham Weintraub, seu ministro tóxico [Em francês]

El País - Sara Winter, a ativista que encarna a briga entre Bolsonaro e o Supremo [Em espanhol]

Le Monde - Manifestações contra e a favor de Jair Bolsonaro [Em francês]

Washington Post - Negligenciadas pelo governo, favelas do Rio de Janeiro organizam seu próprio combate ao coronavírus [Em inglês]

New York Times - Desmatamento na Amazônia aumenta em meio a pandemia [Em inglês]

Reuters - No Rio, em meio à violência, protestos contra a ação fatal da polícia [Em inglês]

O que os protestos dos EUA podem mudar na sociedade?

A newsletter de maio tinha acabado de sair do forno quando os protestos nos Estados Unidos em decorrência da morte de George Floyd começaram a ficar mais intensos e a se espalhar pelo mundo. A força das manifestações já tem despertado algumas mudanças nos Estados Unidos e discussões em todo o mundo. A primeira, e mais importante, é a polícia em si. O que muitos manifestantes nos Estados Unidos pedem é que a polícia receba menos dinheiro. A ideia é que o que é investido em segurança pública hoje seja melhor distribuído para lidar com questões de extrema pobreza, saúde mental e até mesmo educação. A ideia é que o combate à violência aconteça mais cedo e de maneira mais eficaz, deixando de ser única e exclusivamente de responsabilidade da polícia, quando já saiu do controle. Além de mudanças estruturais, outras questões mais imediatas estão em discussão, como remover de espaços públicos as estátuas de figuras controversas quanto ao tratamento racial e alterar o nome de marcas de passado escravocrata. 

Saiba mais:

Washington Post - Como policial, vejo os protestos como um teste da nossa profissão [Em inglês]

Washington Post - Fui promotor no caso Freddie Gray. Aqui está um alerta para Minneapolis [Em inglês]

Foreign Policy - Eu aboli e reconstruí a polícia. Os Estados Unidos podem fazer a mesma coisa [Em inglês]

Washington Post - Às pessoas brancas: é hora de parar de falar e começar a  agir [Em inglês]

Washington Post - Eu achei que entendia questões raciais. Eu estava errado [Em inglês]

New York Times - Repensando o passado, uma estátua por vez [Em inglês]

New York Times - Aunt Jemima, Uncle Ben, Mrs. Butterworth e Cream of Wheat repensam marcas [Em inglês]

The Guardian - O que significa cortar investimentos na polícia? [Em inglês]

Washington Post - Pessoas pretas estão cansadas de tentar explicar racismo [Em inglês]

Uma pausa nas notícias ruins

Já que nos últimos meses as notícias têm sido motivo de ansiedade e desespero, nada mais justo que eu use essa newsletter para recomendar coisas que achei interessante e que valem o clique. Esse artigo do New York Times é interessante em todos os sentidos. De como funciona a rolagem ao conteúdo, analisando a pintura “The Gross Clinic”, de Thomas Eakins. Para quem gosta de arte!

O conflito entre a China e a Índia

Uma disputa territorial na fronteira entre a Índia e a China ficou mais tensa esse mês. A localização exata da fronteira no Himalaia está em discussão há algumas décadas e resultou em uma guerra em 1962. Os dois países mantém soldados na região e, esse mês, um conflito deixou ao menos 20 soldados indianos mortos. Aparentemente, chineses usaram pedras e paus com pregos para atacar os indianos, isso porque um acordo de paz estabelecido em 1966 proíbe que os dois países usem armas na região. Ambos os países afirmaram que pretendem acalmar a situação por meio da diplomacia. Porém, especialistas acreditam que devido à imagem global da China por causa da pandemia, a Índia pode aproveitar o momento para se restabelecer como uma potência global.

Saiba mais:

Foreign Policy - Por que a China está minimizando seu conflito com a Índia? [Em inglês]

Foreign Policy - Por que a Índia e a China estão em conflito? [Em inglês]

New York Times - A Índia ficará do lado do ocidente contra a China? [Em inglês] 

New York Times - Entenda o conflito entre os dois países [Em inglês]

Rússia faz referendo para deixar Putin como presidente

Os russos começaram a votar ontem em um referendo sobre mudanças na constituição do país que podem permitir que o presidente Vladimir Putin continue no poder até 2036. A votação termina em 1º de julho. O presidente já está no poder - entre presidente e primeiro ministro - há 20 anos.

Saiba mais: 

Washington Post - Rússia usa brindes e patriotismo para tentar mudar constituição [Em inglês]

Foreign Policy - Putin será presidente para sempre? [Em inglês]

Foreign Policy - Como Putin mudou a Rússia [Em inglês] Quer uma newsletter como essa para manter o contato com seus clientes e parceiros? Entre em contato!


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